quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Papa chama atenção para o drama das crianças refugiadas

O Vaticano divulgou nesta quinta-feira, 13, a mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado que será celebrado em 15 de janeiro de 2017. No centro da mensagem estão as crianças refugiadas.
O tema “Migrantes de menor idade, vulneráveis e sem voz” chama atenção para a realidade destes menores que por vários motivos são forçados a viver longe da sua terra natal e separados de suas famílias. Francisco os considera três vezes mais vulneráveis, porque são de menor idade, estrangeiros e indefesos.
Diante do fenômeno migratório, que não se limita mais a algumas áreas do planeta mas atinge todos os continentes, o Papa destaca que os menores são os primeiros a pagar o preço oneroso da emigração. Ele denuncia o tráfico, a exploração e o abuso de menores que são privados dos direitos inerentes à infância.
O direito a um ambiente familiar saudável e protegido, de receber uma educação adequada, e de brincar são irrenunciáveis, destaca a mensagem.
“Ora, de entre os migrantes, as crianças constituem o grupo mais vulnerável, porque, enquanto assomam à vida, são invisíveis e sem voz: a precariedade priva-as de documentos, escondendo-as aos olhos do mundo; a ausência de adultos, que as acompanhem, impede que a sua voz se erga e faça ouvir. Assim, os menores migrantes acabam facilmente nos níveis mais baixos da degradação humana, onde a ilegalidade e a violência queimam numa única chama o futuro de demasiados inocentes, enquanto a rede do abuso de menores é difícil de romper.”
Como responder a esta realidade?
O fenômeno migratório faz parte da história da salvação, disse o Papa. Ele recordou neste ponto um mandamento de Deus: “Não usarás de violência contra o estrangeiro residente nem o oprimirás, porque foste estrangeiro residente na terra do Egito” Ex 22, 20.
“Cada um é precioso – as pessoas são mais importantes do que as coisas – e o valor de cada instituição mede-se pelo modo como trata a vida e a dignidade do ser humano, sobretudo em condições de vulnerabilidade, como no caso dos migrantes de menor idade.”
Para Francisco, é preciso apostar na proteção, na integração e em soluções duradouras.
Primeiro deve-se adotar todas as medidas possíveis para garantir a proteção e a defesa dos menores migrantes, já que eles com frequência acabam à mercê de exploradores que muitas vezes os transformam em objeto de violência física, moral e sexual.
Segundo é preciso trabalhar pela integração das crianças e adolescentes migrantes. O Papa chama atenção para a escassez de recursos financeiros que torna-se impedimento à adoção de adequadas políticas de acolhimento, assistência e inclusão.
“Fundamental é ainda a adoção de procedimentos nacionais adequados e de planos de cooperação concordados entre os países de origem e de acolhimento, tendo em vista a eliminação das causas da emigração forçada dos menores.”
Em terceiro lugar, o Papa faz um apelo para que se busquem e adotem soluções duradouras. Ele defende que esse problema deve ser enfrentado na raiz.

“Isto requer, como primeiro passo, o esforço de toda a Comunidade Internacional para extinguir os conflitos e as violências que constringem as pessoas a fugir. Além disso, impõe-se uma visão clarividente, capaz de prever programas adequados para as áreas atingidas pelas mais graves injustiças e instabilidades, para que se garanta a todos o acesso ao autêntico desenvolvimento que promova o bem de meninos e meninas, esperanças da humanidade.”